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27 de julho de 2015

O MELHOR PRESENTE É O QUE DURA TODA A ETERNIDADE


 “O ANIVERSÁRIO DE ZAZÁ”
(Cecília Figueiredo)

O aniversário é o convidado
E eu, a festa;
corre a vida folega pelos intermédios 
que me compõem o agora
A bacia de ágata que puseram lá fora
está plena 
e manda-me luz.

Há torneirinhas no chão - gênesis da chuva
De toda a minha vida, de meus poucos pertences,
Da minha solidez que testemunha fatos, gente, 
bichos, plantas, minerais, migalhas de pão,
aviador, sabões, confissões, recreios de uma vida madura
que trazem ternuras tiradas 
mas nem sei de onde são.

Tudo já sei, mas não me conforta.
Bastasse um pássaro novo, eu já quereria o pássaro;
Um ambiente ocre para que eu o quisesse convertê-lo em azul.

É pouca a vida quando se avança,
E o avanço me contempla enquanto ainda há espera.
O aniversário é o convidado
E eu, a festa,
Basta-me ser para celebrar uma vida
íntima do amálgama de tudo o que há,
que houve e que ainda haverá
é belo e anti-belo, 
é rico e não é rico,
é sensível e vívido,
e isso, penso que é paz.

O aniversário e eu, 
O convidado e a festa,
A simbiose que me habita
E hoje, a que tudo vê 
- grata e congrata -
e a que tudo dá.